domingo, 15 de fevereiro de 2015

Desembrulhei o teu presente quando cheguei a casa e depois espreitei para o melhor de mim


Desembrulhei o teu presente quando cheguei a casa, com muito cuidado para não rasgar o papel, tal qual me recomendaste um pouco antes do "até já".
O perfume ficará guardado na gaveta onde tenho as relíquias da minha história e os meus segredos, lado a lado com o fantástico papel de embrulho onde no verso escreveste uma mensagem de amor.
Palavras escritas iguais às que toda a tarde senti soltarem-se do teu olhar, junto a uma das fontes do Rossio, na Rua Augusta, na Casa dos Cafés, no Tejo, na Ribeira... no abraço sob o chapéu-de-chuva com que subimos a Rua do Alecrim.
Eu nunca te saberei dizer àquilo a que sabem os teus beijos.
Mas talvez se somares todas as letras dos meus versos consigas espreitar por entre esta vida que me dás, e perceber que os teus beijos, como o demais que é teu, são e sabem à própria vida.
A minha vida feliz.
Destapo o perfume, releio amor no papel de embrulho, vejo a selfie que tirámos os dois e a que chamo o paraíso, acaricio os lábios que ainda trazem o aroma dos teus usando estas mesmas minhas mãos aonde ainda há pouco semeastes força e audácia, o amor mais profundo...
E sou eu agora quem se espreita no melhor da vida; eu por sobre a campa rasa onde sepultei os silêncios e os resquícios da caridade pobre de todos os falsos amores.
A chuva bate forte na vidraça, eu já sinto saudades tuas, muitas, mas hoje sou definitivamente o homem mais feliz do mundo.

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