sábado, 28 de fevereiro de 2015

E o tempo acelera…


Mesmo que o dia insista em pintar-se do tom cinzento de nuvens muito carregadas, nós sabemos que o tempo acelera já irreversivelmente para a primavera; e até Fevereiro trai e mata a previsível duração que têm os meses.
Por todo o inverno, a chuva semeou flores rebeldes que por estes dias rasgarão de amarelo, o verde intenso das ervas do caminho.
Até os choupos se despiram para que as águas chegassem mais depressa ao leito das ribeiras, fazendo com que estas ganhassem uma renovada voz e se revestissem de um intenso e indisfarçável aroma de poejo.
Por todo o inverno…
Senti a chuva a bater forte na vidraça da casa aonde moro, e me aqueci das lembranças dos beijos que de ti trago sempre comigo.
E tantas vezes adormeci escutando o vento, e decifrando no seu sopro as palavras de amor que por ti desejei sussurradas no íntimo mais íntimo do meu ouvido.
Hoje enquanto tomo o café e espreito lá fora o cinza de um dia de inverno em agonia, quase que tenho a certeza que o vaso de amores-perfeitos que comprámos juntos no mercado, já estará perto de dar flor.
E olho para o calendário…
Último dia de Fevereiro… e o tempo acelera.
Eu sigo com ele à boleia para os teus braços; é lá que na cidade eu sinto sempre o campo…
O perfume das flores e o canto sereno das ribeiras por estes dias em que chega a primavera.

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