domingo, 22 de fevereiro de 2015

O nosso pensamento será sempre a casa fiel de quem amamos


O vento soprou forte durante toda a noite, mas muito mais forte num instante em que sacudiu violentamente a persiana e pronunciou algo imperceptível durante a sua passagem por entre as frestas apertadíssimas das vidraças.
Acordou-me então o vento, e atirou-me irreversivelmente para os braços da memória sob o olhar cúmplice e o patrocínio da saudade.
O vento como louco, e em mim a abrir-se um terreiro iluminado pela lua, um chão cúmplice do querer e sem limites para a fantasia, uma praça onde as fontes em vez de água, vertem as palavras que sustentam a própria poesia.
E dancei contigo sentindo o teu cheiro e o teu olhar fazenda da música o pretexto para a festa de mil beijos.
O nosso pensamento será sempre a casa fiel de quem amamos...
E o dono das nossas noites é quem resgatamos da memória para nos preencher a magia de sonhar acordado.
Às vezes numa noite escura quando o vento nos acorda.
Depois...
Já não me recordo de ter voltado a adormecer, mas fi-lo certamente por entre a dança onde floresciam os beijos.

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