segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Este lume que acendes conhece-me bem dos anos em que clamei por ele e pus a lenha toda nos dias em que insisti acreditar na sorte


O instante em que todas as cinzas voam muito para lá do mais desprezível e merecido esquecimento e se acende o novo lume com a mais forte e incandescente das chamas, é aquela hora em que o nosso abraço me oferece o teu respirar, o teu cheiro, o toque suave da tua pele… e eu me sinto completo, porque nada me falta.
E o vento que varre as cinzas trata-me por tu por tantas vezes me ter afagado as penas… e a solidão.
E este lume que acendes conhece-me bem dos anos em que clamei por ele, e pus a lenha toda nos dias em que insisti acreditar na sorte.  
Este lume… chamam-lhe amor; e sinto-o agora nas minhas mãos no gesto com que as acaricias por entre o frio de Fevereiro.
Devagar e como que a não dispensar o preciosismo de cada poro.
Este lume… o amor, julgamo-lo tão grande e à medida do imenso desejo de o encontrar, que às vezes nos esquecemos de que se expressa assim de mansinho no fim de uma tarde em que o sol já incendiou o horizonte no poente, e os dois caminhamos por entre os olhares que abraçam e dispensam todas as palavras na hora de falar dele… do amor.
E quando um beijo antecede o “até já” e a lua me acena do seu quarto minguante, eu sou maior pelos tão grandes horizontes que sonho contigo, tenho mais fé por saber que não há temores ou sombras nos dias do futuro e sou muito mais doce pelo amor que me ensinas.
Nas tardes do Tejo e por entre o irreversível voo das cinzas.

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