sexta-feira, 3 de julho de 2015

A viagem nocturna dos poetas


Dizem que os poetas entrelaçam o pensamento no luar e saem pelas noites cavalgando terras infinitas colhendo delas as palavras que desenham mais tarde sobre folhas brancas que ficarão eternamente tatuadas pelo perfume da rebeldia.
E nesses passeios imunes à neblina e ao impossível há pontes improváveis entre gente, lugares e instantes, há rosas irracionais a florescerem sem pudor em incansáveis primaveras, há a música dos dias que tomaram vida da raiz mais profunda da vontade…
Há um paraíso desenhado sobre o breu; que os poetas jamais se renderão e assumirão para si um irremediável destino negro de solidão.
Na noite de Julho que trouxe com ela a lua cheia e acendeu os luzeiros todos que o céu guarda, tomei a tua mão para que subíssemos juntos a serra até ao topo onde àquela hora o mar apenas se intui pela brisa salgada que corre veloz para nos envolver.
Chegados, fiz-te ainda mais perto num abraço que se dissolveu nas sombras dos milhares de troncos beijados pela lua, um abraço de onde se soltaram livres e rebeldes palavras de amor.
E deixámo-nos ficar por ali não sei durante quanto tempo, que por te querer eternamente qualquer hora passada contigo tem o brevíssimo sabor de um segundo.
Só dei conta de que já amanhecera quando vi espreguiçadas sobre uma folha branca as palavras de amor que reconheci dos segredos que trocámos durante toda a noite.
E por entre a rebeldia, reconheci-te em todas as palavras; entre as flores, os pêssegos e os corações de tudo quanto me ditas, estava escrita a história perfeita do nosso amor.
Com rebeldia e pela vontade… como quem sonha: a poesia.

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