domingo, 12 de julho de 2015

CROÁCIA / MONTENEGRO / BÓSNIA DIA 6 Medugorje / Mostar "A paz"

Cruzamos a fronteira entre a Croácia e a Bósnia e sentimos que ela é muito mais do que apenas um detalhe geográfico e administrativo. Há feridas profundas guardadas numa terra aparentemente igual na cor, nos aromas e no sol, até na língua; mas tão diferente no rosto humano com que se veste a fé menosprezando o próprio Deus.

E a guia vai desfiando um rosário de memórias de uma guerra que foi do nosso tempo, os anos em que a amizade e as cumplicidades sucumbiram sob a ambição do poder escondido por detrás de todas essas crenças.

Ironia da viagem e a primeira paragem em terras Bósnias ocorre em Medugorje no local onde supostamente Maria apareceu a um grupo de crianças no dia 25 de Junho de 1981.

O Vaticano não reconheceu estas aparições mas o "clima" ao redor do santuário de paredes modernas já lembra Fátima, e até as lojas e o merchandising parecem decalcados dos da Cova da Iria.

Turismo, hotéis, restaurantes e uma taxa de 20 Euros para entrar numa aldeia que a fé fez crescer até cidade, o sítio onde uma luz trouxe uma mensagem de paz...

Fé, paz, Nossa Senhora... mas não há almoços grátis.

Seguimos para Mostar...

A cidade mais importante da Herzegovina tem um nome que significa "o guarda da ponte" e isso faz todo o sentido quando olhamos para a estrutura de pedra que nos permite cruzar a pé o Rio Neretva. A ponte, o ícone da cidade que os "Senhores da Guerra" deitaram abaixo, e mais tarde reconstruído em 2004.

Mostar, uma cidade dividida?

Digamos antes uma cidade multiplicada... por dois.

Católicos e muçulmanos em áreas distintas, campanários a competirem em altura com os minaretes, e muitas fachadas com as tatuagens dos anos de dor da guerra.

A ponte a multiplicar, muito mais do que a dividir; a gente que em comum parece ter apenas o código postal e, imagine-se, o gosto pelo café.

Sob 42 graus percorro as ruas de pedra polida, a ponte de onde os homens saltam de uma altura de 60 metros até ao rio e onde o arco gigantesco nos obriga a cruzar uns estranhos e sinuosos degraus; e não consigo evitar temer pela paz.

Oxalá o café rompa a tradição e a História, oxalá os Homens não sufoquem e não traiam Deus.


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