quinta-feira, 23 de julho de 2015

“Já viste a lua"?


Por entre a maior cumplicidade e quase ao bater da meia-noite, os poetas mandam mensagens uns aos outros:
“Já viste a lua"?
Estranhas coisas e manias que têm os excêntricos e os loucos?
Não.
Talvez apenas pequeníssimos e naturais detalhes de quem durante o dia falou da vida e dos seus amores, de quem se encontrou na esquina da ousadia com a vontade, o ponto de encontro daqueles que não sabem e não querem frenar nunca os sentimentos, porque jamais se demitirão de si próprios.
Os poetas, vivos e como nunca, sem a restrição de um clube qualquer e da prudência, porque deles será sempre o universo inteiro.
E eu por acaso não vi a lua.
Adormeci cedo com o patrocínio de um cansaço a que não ofereci resistência, embalado e impelido que estava também pela vontade de sonhar e me deixar voar até ao tempo desenhado a cores, um calendário tecido da poesia solta das mãos de quem eu amo com a cumplicidade de todas as luas.
Soube hoje de manhã:
“A lua estava fantástica, a crescer e com um sorriso fantástico”.
Eu não a vi imperial, a crescer e a sorrir no céu estrelado de Julho, mas senti-a inteira e minha em tudo aquilo que a noite me deu; o amor que se abraça a nós e nos segue no instante de acordar; quando passamos pelo espelho e nos apercebemos:
- Olha, estou a sorrir.  
Mandamos uma mensagem de amor a quem nos traça assim um tempo a cores…
E depois manda-se um beijo ao poeta; que ele nunca deixe de partilhar comigo os detalhes que vê na lua.


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