terça-feira, 28 de julho de 2015

Um Portugal dos Pequenitos à beira mar


No topo da encosta há um "altar" envolto pela sombra de um toldo branco onde duas "sacerdotisas" de ancas generosas e vestidas do mesmo tom alvo, aplicam as mãos e massajam os corpos da gente deitada sobre lençóis que esvoaçam.

Os prazeres da antiga Roma sob o sol intenso da Lusitânia no meio de um dia do Século XXI.

À mesma hora na piscina do hotel, um Português de rosto redondo explica as técnicas do mergulho a aplicados Ingleses que devidamente equipados se propõem ir conhecer o mar em tudo e até nas suas profundezas.

O herdeiro da Escola de Sagres ensina a respirar algures no mesmo barlavento mas numa piscina com as marcas organolépticas do nosso tempo... uma piscina pejada de cloro.

Na mesa ao meu lado um grupo de estrangeiros come "green cabagge soup" em malga de barro, um Caldo Verde até com direito a rodelas de chouriço.

A sopa mais Portuguesa de Portugal arrefecida pelos sopros soltos entre "yes's" e "hello's".

Cada uma das Espanholas garridas que gritam no fundo da esplanada, tem um ar de "Lola Flores em versão genérica", ou quiçá de travesti da "Pantoja" à porta do "Finalmente Club", e não fosse lá por coisas, e eu em nome do meu amigo Nuno Zé ia lá declará-las património do Carnaval de Torres Vedras.

Não falta uma mulher para quem as férias só são boas para poder brilhar de bronze na repartição quando voltar, a prometer um par de estalos à filha que grita inspirada na buzina do quartel de bombeiros; e um homem com andar de Hércules patrocinado pelos calções comprados nos saldos da Saccor mas já nos últimos dias e só a disponibilidade de tamanhos abaixo do seu...

Há cartazes espalhados a anunciar para as 19.30 horas de hoje, um "barbecue" com sardinhas assadas e acompanhamento por um Rancho Folclórico especialista em Corridinho, a "dance" mais "folk" da região.

Aqui onde escrevo e me vou inspirando coçando a barba grisalha em pausas para olhar o mar e escutar as gaivotas, todos estes de quem falo poderão dizer que eu sou uma caricatura insuflada e cabeçuda do Pessoa à porta de uma qualquer "Brasileira". Bica à minha frente e um ar entre o sisudo e o misterioso.

Só as ondas do mar parecem indiferentes a tudo isto mas mesmo assim continuam salgadas com as nossas lágrimas, como diz "A mensagem".

Um dia de praia...

"Portugal dos Pequenitos", um parque temático para estrangeiros num hotel perto de si.




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