segunda-feira, 13 de julho de 2015

Para podermos caminhar só precisamos de ter vontade


A noite de Dubrovnik está quente e há uma multidão entre muralhas como que na expectativa de uma brisa fresca que o mar possa oferecer.
Numa praça há um homem que toca viola, numa outra mais à frente soa uma orquestra, e nós sentamo-nos na esplanada de um bar escavado no rochedo que desce para o Adriático.
Não fora a memória e as luzes dos barcos que passam ou andam por ali a pescar, e não seria pela brisa que descobriríamos ser o mar aquele breu imenso à nossa frente.
Hoje nem a lua veio para nos ajudar.
Mas a realidade está muitas vezes para lá daquilo que nos é permitido ver de uma forma racional.
E ali está o mar à nossa frente.
Tomamos um refresco para animar a última noite da viagem e revivemos alguns momentos...
O motorista que se chama Jelco, que em Português significa desejo, uma guia Croata que adora a palavra Portuguesa Borboleta e que a adoptou como endereço de e-mail, o bar em que a palavra-passe para o Wi-Fi é "findyourway" (encontra o teu caminho), o sol que se banha connosco ao fim da tarde, as farturas que parecem ser universais e sabem muito bem na noite de Split, o Amato Lusitano que foi um dos médicos mais importantes da História de Dubrovnik, as nossas gargalhadas, as palavras mais repetidas: guerra, independência e religião...
E partimos pouco depois porque há malas para fazer e um avião para apanhar cedo e regressar a Lisboa.
Um último olhar, uma derradeira compra... e a meio da rua principal a Sónia rompe a sandália do pé esquerdo, e passa a coxear arrastando a sola.
Um bom resumo para tudo aquilo que vimos e aprendemos nesta viagem por entre uma perfeita sintonia e amizade: para podermos caminhar só precisamos de ter vontade.
Pelo desejo descobriremos sempre o nosso caminho, a rota que nos leva à independência e à liberdade, mesmo que muitas vezes com aquele desconforto que nos obriga a coxear.
E viva a paz por entre a consciência de que a religião, qualquer que ela seja, tem muito mais de humano do que de divino.
Deus é único, é a própria paz e está sempre presente, tal qual o mar numa noite de breu e sem luar. 

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