quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Depois, cheguei a casa e coloquei palavras na poesia que tinha bebido de ti


Os dias são como os Homens e não se medem aos palmos; e por isso, porquê temer que desde aqui e até ao solstício de inverno, lá para o próximo dia 21, o tempo de sol seja cada vez menor.
Para além do facto das noites serem afinal pedaços de dia em que não vemos o sol mas temos a lua e as estrelas, a vida ganha-se tantas vezes num breve instante, com independência de brilhar ou não o sol no firmamento; que bem mais importante para isso são os detalhes de luz que insistimos em não apagar em nós.
Ainda esta semana irei ter à minha frente um grupo de alunos do ensino básico para quem irei falar de poesia.
Sobre o que é a poesia.
A missão não se me afigura fácil e por isso tenho pensado insistentemente no assunto.
Durante o fim-de-semana em Vila Viçosa fiz inclusive trabalho de campo com o meu sobrinho João, e os dois sentados à braseira tentámos construir uma história que tivesse em si a própria poesia.
Propôs ele que o argumento se poderia centrar numas crianças que ensinariam o pai a fazer aviões de papel. E vincou muito bem:
- Mas aviões daqueles bons e que voam mesmo.
E pareceu-me interessante.
Desde logo porque o “fluxo na poesia” vai das crianças para os adultos e não o contrário; e depois porque a poesia é apresentada como uma capacidade de voar… mas voar mesmo.
Em relação à sessão desta semana já me deixa mais tranquilo porque serei eu quem à partida irá à escola “colher” detalhes da poesia; e depois, e se a poesia é a capacidade de voar, mas de voar mesmo; fica explicado porque é que eu senti ter asas quando estava sentado à tua frente no outro dia, e entre palavras e histórias, me abstraí um pouco para saborear o pensamento de que contigo a vida tinha ganho tudo e um sentido.
E até não havia sol.
Brilhava a lua cheia sobre Lisboa, brilhavam as estrelas e o teu olhar; e o dia de Dezembro que até poderia ser alcunhado de pequeno foi dos maiores que já vivi.
Depois, cheguei a casa e coloquei palavras na poesia que tinha bebido de ti.

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