sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Porque nunca nenhum dia é suficientemente vazio…


O comboio acelerou pelas linhas que cruzam a maquete feita pelos Ricardos e baptizada ontem pelo João como a “Vila Barreiros”, com direito inclusive a uma toponímia muito especial e familiar, com a rua dele a ser um pouco mais comprida do que a do mano Luís ou a do primo Afonso.
Não me recordo há quantos anos o comboio estava guardado no armário do escritório depois de me ter sido oferecido pelo Juan Blas; talvez quinze. Na vida e na nossa história, nunca nada é suficientemente velho para não poder um dia saltar do mais recôndito da memória e proporcionar-nos assim uma tarde com o melhor do Natal.
E depois do resto da tarde a contabilizar presépios, a arrumar os papéis dos “desembrulhos” da noite, a não resistir a uma filhós ou uma azevia sempre que o trajecto passa pelo prato gigante onde moram, a responder a mais umas mensagens de Natal… o sono pelo prolongado serão de ontem encurta o de hoje e a cama transforma-se num apetecível refúgio para o frio de Dezembro no Alentejo.
Não ouvi o telefone a sinalizar uma mensagem, li-a mais tarde pelas quatro horas quando acordei e quis saber as horas.
Foi bom saber que gostaste do romance que escrevi para ti com pedaços da tua história que me contaste nos instantes perfeitos que passámos entre o Chiado e o Tejo. Os momentos perfeitos nascidos há tão pouco mas sonhados em mim há uma vida inteira.
Chorei na madrugada de Vila Viçosa, não sei se por mim, por ti, pela saudade… de felicidade sim, muito e por certo.
E o Natal é tecido também por esta bênção de uma chegada tão feliz e única algures no ano que termina.
E o Natal é a vida tecida assim pela história e por tudo aquilo que o presente faz nosso, às vezes súbita e inesperadamente no dobrar da esquina mais improvável.
Porque nunca nenhum dia é suficientemente vazio para não podermos esperar que ele nos traga finalmente a sorte.
E o dia a seguir ao Natal, ainda por Vila Viçosa e a “desenratar” com um almoço de feijão com alabaças, é infinitamente mais feliz.
Por tudo… e por tantos.

Sem comentários:

Enviar um comentário