quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

NATAL 3 / Os Borrachos


São as minhas filhós preferidas de Natal.
A Avó Natividade preparava-as como mais ninguém, mas aquelas que a minha mãe continua a fazer quase em exclusivo para mim, aproximam-se muito dessa excelência frita e com um nome de bêbedo, o que é perfeitamente legítimo perante os ingredientes utilizados.
Assim…
500 g de farinha
1 Colher de chá de fermento em pó
1 Ovo inteiro
250g de banha de porco
2,5 dl de vinho branco
1 Cálice de aguardente
Sumo de uma laranja
1 Colher de café de canela
Açúcar para polvilhar
Coloca-se a farinha e o fermento em pó num alguidar abrindo-se um espaço ao centro dessa montanha alva de pó do trigo para onde se verte a banha derretida e a escaldar.
Dizem que este passo é o segredo de um bom borracho.
Evitando quaisquer queimaduras, mistura-se muito bem a banha com a farinha, deitando de seguida a canela, o vinho, a aguardente, o sumo de laranja e o ovo inteiro.
Amassa-se tudo muito bem até que o preparado adquira uma consistência elástica, podendo juntar-se mais farinha se tal for necessário.
A massa descansa cerca de 10 minutos até ser estendida até ao mais fino possível com a ajuda do rolo.
Corta-se de seguida com a ajuda da boca de uma caneca, recorrendo-se depois a um dedal para fazer um corte muito mais pequeno no centro do círculo.
Se ouvirem dizer que um tal Americano de nome Hanson Gregory inventou os donuts, cujo nome deriva do Inglês “doughnut” (rosca frita), esqueçam; fomos nós Alentejanos que os inventámos nestas filhós fantásticas.
Os Americanos não inventaram nada, e os donuts beberam inspiração na forma destas filhós Alentejanas.
Depois de cortada, a massa deve descansar mais uns dez minutos, fritando-se de seguida em óleo muito quente e abundante. Depois de frito deixa-se escorrer e polvilha-se com açúcar e canela.
É do melhor que há e eu até diria que estas filhós conseguem falar, pois colocadas num enorme prato na mesa da sala e tapadas com um pano, juro que as ouço muitas vezes a chamarem por mim quando passo por perto:
- Joaquim.
E eu nunca resisto…

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