domingo, 28 de dezembro de 2014

O olhar dos amigos será sempre a casa onde nos sentamos para sorrir


Após a centrífuga acção do tempo, resistentes a tudo e à erosão do muito viver, permanecem fiéis e ao redor dos nossos dias aqueles que são especiais e indispensáveis: os amigos.
São a nossa família eleita com base na mais pura genética do ser, um núcleo congregado pelos afectos e cumplicidades; laços por vezes bem mais verdadeiros e eficazes do que os derivados de qualquer outra inevitabilidade por herança de DNA.
Mestres das palavras que nos fazem bem e nos constroem, dispensam-nas tantas vezes por nos saberem ler os olhares, os semblantes, as poses os gestos…
Gente que está e a quem nunca necessitamos chamar… a gente que sorri instintivamente quando nos vê e sente sorrir…
E chora connosco.
Gente que é alento no caminho, antídoto de qualquer possível fraquejar, gente que nos rasga o desespero e faz sobressair o lado mais doce e solar.
A gente do sim e do não, gente que não ajuíza mas sabe cuidar, uma espécie de zeladores da felicidade, companheiros instituídos pela alma que às vezes até nos podem gritar sem que levemos a mal; tudo neles tem o tempero do coração.
Gente às vezes tão diferente de nós em tanta coisa e no pensar, detalhes que dão cor e nunca dividem, porque as raízes são as mesmas e alimentam de valores a nobreza do ser.
Estes dias de entre Natal e Ano Novo trazem-me muitas vezes à roda dos amigos. Quase que nem necessitamos combinar nada, conhecemos muito bem e de há muitos anos, as horas e os sítios que nos possibilitam estas tertúlias informais, quase sempre a pretexto de um café.
Os nossos dias cruzam-se da mesma forma que as nossas vidas estão entrecruzadas e se entregam juntas ao caminho desde a história até ao futuro que sonhamos grande e feliz.
Há sempre uma história…´
E entre gargalhadas, e apesar das queixas que por vezes já levam as conversas para as hérnias, depressões, dores na coluna, problemas digestivos, pontadas no fígado, alergias… sentimo-nos bem melhor.
O olhar dos amigos será sempre a casa onde nos sentamos para sorrir.  

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