quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Pelo amor, claro.


A noite de Lisboa acendeu a ponte e o Natal já espalhou milhares de outras luzes na expressão de um tempo de negócio, muito mais do que de boa vontade.
A cidade faz-se inteiramente minha ao redor da meia-noite, e apenas um eléctrico que passa em direcção ao seu repouso em Santo Amaro, me retira o privilégio de uma rua rasgada só para mim.
O rio está ali bem perto e sinto-o na face, no fresco que o meu passo acelerado ainda atrai com mais veemência.
Há noites como hoje em que brotam ilhas de afecto no mar de indiferença e solidão da cidade, e levo comigo nesta viagem até ao carro, a esperança colhida do rosto feliz de quem vive à margem e para quem um prato de carne com massa é infinitamente mais Natal do que uma luz semeada pela Junta de Freguesia.
A esperança na alma que suplanta hoje em mim e definitivamente qualquer dor nos pés ou o cansaço nas pernas.
O que são as minhas dores e os meus cansaços de uma só noite quando comparados com os da gente que os sente em todas as noites?
Acelero o passo.
Está frio.
São vinte e três horas e dezanove minutos quando soa uma mensagem tua. Tratas-me por amor e eu não resisto e rasgo um sorriso que descompõe definitivamente o cerrar de dentes que enfrenta o frio que vem do Tejo.
Tu és o amor que sempre desejei para os meus dias e todas as minhas noites. Sinto-o cada vez mais certo.
E um homem feliz é irremediavelmente aquele que caminha envolto no amor que preenche cada mais pequeno detalhe da sua vida; sem excepções.
Sigo a pensar em ti…
E pisco o olho à ponte.
Afinal, somos da mesma idade, estamos iluminados nesta noite fria e ambos matámos a distância que há entre todas as margens.
Pelo amor, claro.

Sem comentários:

Enviar um comentário