domingo, 7 de dezembro de 2014

Passei hoje à rua onde nasci...

Passei hoje à rua onde eu nasci.

Parece muito mais pequena do que então e até foi estranho explicar ao meu sobrinho João que era alta, a janela do primeiro andar onde morávamos; é demasiado baixa.

A dimensão das coisas está na forma como nós as vemos, quer sejam ruas, janelas ou quaisquer outros detalhes da nossa história.

E se o tempo fez encolher a minha rua, para sempre persistirá o eco das pessoas que nela me fizeram feliz. Lembro-me de todas elas, e as portas nunca terão números, em vez deles têm nomes de amigos; os nomes que permitem usufruir sempre de uma história quando por ali passo.

O João escutou com muita atenção quando lhe contei que na esquina entre a casa da vizinha Jerónima e a garagem da família Monte havia um recanto que era o paraíso para quem queria ganhar sempre que jogávamos às escondidas.

Tinha saudades quando cheguei ao cimo da rua e entrámos na Praça.

O dia está frio mas o sol faz brilhar intensamente as laranjas que enfeitam a Praça.

Saudades...

Mas apetece-me sorrir.

A raiz só se sente viva enquanto os frutos sorrirem; e por mim a minha rua nunca morrerá.

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