quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O amor sente-se, muito mais do que se tacteia algures por entre a noite.


Às vezes procuro-te incessantemente tacteando entre os lençóis de saudade com que a tua ausência cobre as noites.
E nunca te encontro entre os meus dedos.
Depois respiro fundo, coloco o braço e a mão direita por debaixo da almofada, reclino o rosto apoiando-o sobre a face direita, e abraço-me sem reservas ao generoso silêncio que me oferece o tempo todo para pensar em ti.
Relembro as histórias, revisito todas as palavras, sinto o teu cheiro, a força do teu abraço, o toque suave da tua pele, o mundo todo que espreita pelo teu olhar… e consigo até fazer renascer todos os detalhes dos beijos perfeitos que me dás.
E acho que sorrio na escuridão do quarto por mérito deste vígil e consciente modo de sonhar… que o sonhar assim acordado é sempre bem mais fiel à nossa vontade.
E tu és o centro de toda a minha vontade.
Vejo-te claro na noite que afasta então todo o linho da saudade, e é fácil entender que só um grande amor consegue povoar assim o pensamento e o coração de um homem que está aparentemente só no silêncio de uma cama muito vazia.
Sim, eu amo-te muito…
E assim tão intensamente em mim, porque é que eu haveria de ficar triste só por não te encontrar entre os meus dedos?
O amor sente-se, muito mais do que se tacteia algures por entre a noite.
E por te sentir assim em mim eu sinto-me rei no trono do universo inteiro.

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