quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Pesadelos e afins


O Dr. Mário Soares afirmou recentemente que o país está de cócoras, e eu tenho de concordar com ele pois fiz exactamente a mesma avaliação quando o vi recentemente à porta da prisão de Évora a pedir aos jornalistas que levassem recados a um juiz.
Esperava mais do ícone da nossa democracia.
Mais tarde ouvi o Dr. António Costa afirmar que o país necessita de uma cambalhota, o que geralmente até exige previamente um posicionar de cócoras; e pensei à partida que o exercício gímnico para a comparação não era o mais feliz, pois no final de uma cambalhota estamos exactamente na mesma posição de antes, só que um pouco mais à frente.
Mas quando o Dr. António Costa, que até já convidou o Dr. Ferro Rodrigues para líder parlamentar, sugeriu ao Dr. Jorge Sampaio para se candidatar à presidência, entendi o recurso à “cambalhota”. É mesmo para dar uma volta e ficar tudo na mesma.
Depois do Dr. Sampaio ter demorado um mês a pensar para dar posse a um governo liderado pelo Dr. Santana Lopes, e depois da performance actual do Prof. Cavaco Silva, o Palácio de Belém foi definitivamente promovido a jazigo mais caro do país, lugar para os despojos dos companheiros de carteira da Lili Caneças.
Leio depois uma carta do Sr. José Sócrates (suposto engenheiro) escrita a tinta vermelha e a dizer mal dos políticos. Não estranhei a cor da tinta pois se tal significa mandar alguém à m…, houve mais algum sítio para onde ele sempre nos tivesse mandado?
E os políticos? Eu por acaso até concordo com ele mas a minha opinião é em grande parte fundada no julgamento que faço da sua acção como tal, político.
Pelo caminho ouço a Dra. Ana Gomes no “Conselho Superior” da Antena 1 a afirmar que se Sócrates for culpado deverá ser exemplarmente punido, e se for inocente, a justiça fica com uma muito má imagem. Ainda bem que esta senhora existe e tem esta mente brilhante pois ainda ninguém tinha chegado a esta conclusão…
Conselho Superior? Nem imagino o que possa ser o inferior...
Ligo para a SIC Notícias e tenho a noção que desde a Operação Pirâmide, da Cruz Vermelha Portuguesa e do principio dos anos oitenta, que uma emissão não durava tanto tempo. Dois primos “Espírito Santo” em luta de argumentos para claramente sair vencedora a memória de Vasco Gonçalves, o primeiro-ministro que nacionalizou a banca.
Ainda tive tempo para ir ao multibanco e confirmar que a Senhora Ministra das Finanças me retirou 55% do subsídio de Natal, mas por entre o sorriso e a tranquilidade de que o país está bem e de que todos deveremos agradecer-lhe e erguer-lhe uma estátua algures numa rotunda por aí.
Acabei por desligar a televisão, o rádio, rasgar o talão do multibanco…
Já chega de pesadelos.

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