quinta-feira, 14 de maio de 2015

A noite que te trouxe


Há noites destas, de acordar com o vento, e ficar assim desperto no assumido gozo do prazer da manta colorida, temperando a hora de tudo aquilo que mais quero.

O pensamento nunca falha na hora de cumprir os desejos desta vontade, e breve te faz chegar aqui para "conversares" comigo.

Lá fora segue o breu... e o vento como que num esforço para que a sua voz acorde definitivamente a madrugada.

Peço-lhe que sossegue; tu já estás comigo...

Os dias são o que são, e as noites por serem mães de sonhos, são no seu silêncio e no escuro, tudo aquilo que queríamos que fossem os dias.

Eu agora sinto até o teu abraço, e ao ouvido vou dizendo tudo aquilo que às vezes te escrevo e que só nós e o Tejo que nos escuta, guardamos como segredo.

Consigo sentir os teus beijos, são diferentes de tantos esboços onde os ensaiei enquanto te procurava.

E sigo pelas palavras...

O vento já amainou e não tarda a amanhecer, eu adormeço contigo.

Já vamos ter muito pouco tempo para dormir, o dia não tarda, a hora de me levantar...

E mesmo que o dia não seja tão fiel a mim quanto foi esta noite, não me importo; sempre colho dele o céu que me lembra o teu olhar.

E sonharei acordado em ilhas de silêncio que abrirei na cidade.


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