segunda-feira, 18 de maio de 2015

Entre o tempo e a poesia


Reinvento-me feliz à sombra do teu olhar.
Contigo a uma janela alta e enquanto luto contra o tempo que me arrasta inevitavelmente para o fim do serão e para o “beijo de até logo”, o primeiro segundo da saudade; vou tomando de ti a nova poesia, e alinho palavras sobre as linhas informais que me oferecem os telhados de Lisboa.
Subo e desço com o olhar ao ritmo do infinito perfeito que me ofereces viver, e da caligrafia ousada e louca dos poetas nascem versos sob o céu de um infinito luar.
Destemidas palavras de desejo.
Palavras e rimas como os beijos e como a vida que nos entrelaça; sem pontos finais e sem reticências.
Depois, pelas duas da manhã, estamos sentados frente a frente na Brasileira do Chiado.
Enquanto nos refrescamos na bênção de uma água tónica, eu tenho Pessoa atrás de mim, e tenho-te a ti à minha frente. Atrás de ti um relógio que parece ter nascido na mesma década daquelas paredes, um incansável corredor de fundo sem meta à vista na sua infinita maratona.
Estou feliz ali entre o tempo e a poesia.
Estou contigo entre o tempo e a poesia, e as palavras de amor e a eternidade são detalhes da vida perfeita que guardas em ti e que eu descubro sempre à sombra do teu olhar.

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