terça-feira, 12 de maio de 2015

Os pássaros e os Homens que gostam de voar


Um Homem resignado é um pássaro automutilado no poder de voo das suas asas, e um pássaro que entrega facilmente o seu quinhão de céu a todas as outras indistintas aves.
Então, prostrado e triste numa gaiola ou nas pedras duras do caminho, apenas verá do céu alguma qualquer pequena nesga de azul que as asas alheias em voo lhe quiserem deixar por dó e caridade.
E um pássaro assim, sem céu, é um pássaro morto na sua raiz, na sua essência, mesmo que ainda possa continuar a respirar… e até por muito tempo.
Pelo contrário, um Homem ousado é um pássaro que dá vida às asas e que chama a si, o céu, buscando-o sem reservas e sem temer sequer os perigos que espreitam por detrás dos arbustos na pontaria certeira de um qualquer “caçador”.
Poderá chegar o dia em que possa ficar ferido, quiçá morrer, mas nunca foi por si e por falta de ambição que o céu deixou de lhe sorrir e deixou de ser seu.
E já tem muito de nosso, tudo aquilo a que aspiramos e pelo qual lutamos, mesmo que jamais consigamos ter dele posse total e efectiva; para além de que a esperança que vive colada aos sonhos já nos faz sorrir.
É o irresistível açúcar da vontade.
Um pássaro que se faz ao céu fá-lo pois ao jeito de um Homem que dispensa as gaiolas, as grades, e que cumpre o destino que a alma lhe impõe em pleno e despudorado gozo da sua liberdade…
Um Homem que faz suas, todas as fontes; um Homem que não nega jamais um beijo aos seus amores, da mesma forma que um pássaro em voo, jamais se recusa pousar e entregar uma carícia à mais bonita das árvores do campo…
Um Homem que sonha e que assume assim a ousadia que a nada se rende; nem sequer à perspectiva desse tão desconfortável epíteto de louco, oferecido gratuitamente e de forma voluntária pela multidão gigante dos mestres e escravos da sensatez, “papagaios” mais ou menos coloridos e instalados em poleiros dourados entregues à monótona “cassete” de tantas frases feitas.
Um Homem…
Sou eu e sou tudo isso pelo impulso de voar para ti, para os teus braços…
Definitivamente, o meu céu.
E voar sem sentir medo.

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