sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A poesia que se solta de um pôr-do-sol (Férias – Dia 14)

Primeiro começamos a conseguir olhar o sol de frente, e daí a pouco ele desaparece mergulhando naquele exacto sítio lá ao longe onde o mar parece tocar o céu.
Sabemos que o pôr-do-sol é uma ilusão que a esfericidade da Terra nos oferece, e também estamos conscientes da relatividade de um momento que sendo para nós o anoitecer, para muitos será o inicio de uma nova manhã; mas deixamo-nos ir pela magia desta hora, que as ilusões são especiarias que nos dão sabor e gosto aos dias, e esmaga a poesia quem se faz escravo cego da razão.
Da mesa do nosso último jantar de férias vemos o pôr-do-sol no mar de São Pedro de Moel, beneficiando da generosidade de quem nos pôs a mesa, quadrada, e deixou devidamente livre o lugar que condenaria algum de nós a não o ver.
Vamos apreciando os tons do sol, do céu e do mar, falo da "hora dos mágicos cansaços" e dos abraços, de Florbela, e deixamo-nos levar pelas inevitáveis palavras.
Levamos duas semanas a conversar, e de Florbela passamos pelo amor, pelos namoros de há cinquenta anos (eu sou da mesma idade do amor dos meus pais), os bailes nas sociedades recreativas, a vergonha do primeiro beijo só após um ano de namoro...
E eu ouso pegar no i-phone e ler um dos meus poemas de amor.
Ali os três sentados, eu e os meus pais, sabemos que o amor assim tão perfeito não é compatível com disfarces, é a festa das almas abertas, é a arte dos recomeços; e tudo, mesmo até o pôr-do-sol, pode ser o inicio de um dia novo e bem melhor.
Por isso terminaram as férias mas seguem as palavras e este infindável amor que tem expressão em todos os momentos.
Já temos planos para o ano que vem e para estas duas semanas que sempre reservamos no calendário.
Nunca nos deixaremos morrer e nós sabemos que ter planos e ambições é tão fundamental quanto o respirar para quem se quer manter vivo.
Sabem que nestas férias e em todas as refeições brindei com o meu pai fazendo tilintar os copos dos tintos que se foram cruzando connosco, e ensinei-o que para dar sorte temos de nos olhar de frente no momento do brinde. Ele agora escancara-me sempre os olhos.
Assim e para terminar, brindo com todos vós na alegria de ter sentido os vossos olhares sobre estas partilhas:
- À vossa!
E viva a vida recheada de amor e poesia.

Sem comentários:

Enviar um comentário