terça-feira, 12 de agosto de 2014

Metamorfoses (Férias – Dia 11)

Imediatamente a seguir à noite da lua gigante que nos pôs a todos a olhar para o céu, a manhã trouxe o sol, e com ele uma nova face para a cidade que ainda ontem era um pranto de chuva.
Não somos de desistir e voltámos a subir a Santa Luzia, mas desta vez para apreciar devidamente o Lima e o Atlântico, os dois em perfeita sintonia com um céu intenso de azul.
Daí a pouco cruzámos o próprio rio Lima, e mais tarde o Douro sobre a Arrábida, olhando a foz à nossa direita.
Já não passámos o Vouga…
Saímos da A1 em Santa Maria da Feira e daí seguimos para Vale de Cambra, Arouca, e encetámos a subida à Serra da Freita.
Um pouco mais de mil metros de altitude, a subida por entre a vegetação que vai dando lugar ao granito, rei e senhor no topo da Serra devidamente adornado por uma vegetação rasteira em tons de amarelo; o encanto da paisagem, e a sensação de que há um paraíso por descobrir ali mesmo ao lado da rota de tantos dias.
Surpreende-me totalmente o caminho que se nos oferece em exclusivo, a estrada onde apenas o homem que guarda uma manada de pachorrentas vacas, nos acena algures quase a chegar a Manhouce, terra do canto com pronúncia do norte.
Depois… São Pedro do Sul, Viseu e a Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo.
É cedo e decido ir dar um passeio pelo jardim.
O sol incide lateralmente sobre a fachada que mira a sul, e eu sigo o trajecto das linhas desenhadas pelas camélias.
O chão seco de Agosto, as flores e as lembranças…
Os fins de tarde do campo são o paraíso para quem estando só se alimenta das mais doces memórias, aquelas que são capazes de matar as “solidões”.
E soltam-se as palavras à beira de um lago onde os cisnes coabitam com uns muito rurais e simpáticos patos que me fazem companhia.
Os dias são como a vida, são tecidos por nós no tear das mudanças e das opções que tomamos, e a esperança, muito mais do que o medo ou a incerteza, é o diesel de um motor que nos faz crescer e nos transporta para o tempo e para o espaço onde queremos estar, onde somos felizes.
Sabemos que há dias em que a neblina não nos deixa ver nada e outros em que o sol nos liberta o horizonte; há dias que parecem noites e noites que parecem dias porque beneficiam de luas gigantes; há dias em que tudo parece previsível mas que nos surpreendem quando seguimos por um novo caminho que está afinal tão próximo de onde circulamos mas que até aí se manteve inédito.
E descobrimos novas montanhas e renovamos os horizontes.
À noite voltámos a uma varanda para um serão de conversa. Desta vez não ouvi grilos, apenas escutei as rãs.
E acabava de escrever sobre metamorfoses quando leio que partiu o actor Robin Williams. Fez-me chorar em “O clube dos poetas mortos”, fez-me rir na “Gaiola das loucas”, fez-me sonhar com o seu Peter Pan…
A vida é como o cinema e pede-nos definitivamente que encaremos o dia com um sorriso esboçado pelos lábios, pelo querer ou então pelas palavras de um eterno:
- “Good morning Vietnam” 

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