sábado, 30 de agosto de 2014

As palavras por entre os silêncios

Há muito que o meu i-pad pessoal é “terreiro” preferido para as brincadeiras do João e do Luís quando me visitam, e por isso, e como tio extremoso, lá vou de vez em quando descarregando umas aplicações por sua indicação e segundo as suas vontades.
Assim, com o aparelho bem composto de icons que abrem jogos de monstros, pássaros, ursos e afins; já me habituei a que às vezes durante a noite, estas criaturas abandonadas e vítimas da minha falta de jeito, paciência e tempo para jogar, vão rompendo o silêncio com sons algures entre o chiar de um boneco, o toque de um despertador ou o repenicado canto de uma ave.
Vantagem: já estou imune a qualquer fantasma que resolva visitar-me, pois dormirei descansado julgando que se trata de uma mensagem enviada pelo i-pad.
Fui buscar este exemplo com algo de caricato apenas para demonstrar que o silêncio não existe, nem mesmo quando ele parece o destino inevitável para a noite de um homem que está sozinho.
Talvez porque estar sozinho não seja sinónimo de estar só, a ausência das palavras físicas de outrem são sempre substituídas pelas tantas outras que carregamos na inesgotável reserva da memória.
Os silêncios são oportunidades únicas para revisitarmos as nossas Histórias… e aquilo que parece um vazio é afinal uma festa de tantas palavras; da mesma forma que a escuridão de uma sala nos proporciona a melhor forma de ver um filme.
E tal como nos jogos do i-pad, a saudade faz despoletar sinais; e os fantasmas jamais conseguem sobreviver o tempo suficiente para nos pregarem um pequeno susto que seja, afinal estamos sempre acompanhados pelo melhor de nós.
Mas nem só de passado se “temperam” os silêncios…
À boleia do voo rebelde que nos oferece o pensamento, pelos silêncios vamos até onde e quem queremos, abraçando-nos ao ilimitado recurso da criatividade e da ambição no desenhar dos nossos maiores sonhos.
É sempre do aparente vazio de uma tela em branco que nasce uma obra de arte.
Assim…
Sempre que de noite eu te abraço
Entre os meus silêncios, vendo-te sorrir,
A esperança renasce de um novo traço:
Eu fiz o novo dia que vai surgir!

Tenham um excelente sábado e sorriam muito.

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