terça-feira, 19 de agosto de 2014

As flores cúmplices do luar

No jardim em frente ao meu quarto há um canteiro enorme com flores cúmplices do luar que só libertam o seu cheiro depois do sol se esconder para lá do horizonte.
Um perfume intenso e inesperado que me abraça na noite enquanto caminho escutando o canto de cigarras, sentindo ao longe a perseverança do afecto das ondas enrolando-se na praia.
Quem disse que não há encantos guardados nos momentos em que o sol não brilha?
O segredo será talvez o "acender" de todos os sentidos e não amputarmos a hora do benefício de qualquer um deles.
O sol voltará sempre, já o sabemos, tenha a noite a aparência de longa ou curta, tenha ou não o luar a companhia de doces aromas de flores... mas a espera da madrugada nunca é um tempo morto e é em si mesma um tempo de "prazeres" únicos a não rejeitar.
A vida não é intermitente e nunca é ou será cativa do brilho do sol que nos faz os dias.
A madrugada devolveu-me o azul do mar de que eu desfruto enquanto caminho só pela areia sentindo aqui e ali o beijo fresco de uma onda mais ousada e distendida.
Este azul tem a cor do sorrir de alguém.
Gosto do cheiro da maresia, deste odor salgado de algas e de tudo o grande que o mar guarda em si.
Mas o perfume das flores guardo-o apenas da noite.
E o teu sorriso?
Também está guardado nas noites, em mim e nos meus sonhos, muito mais do que aqui ao sol no azul do mar.

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