segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Travestis, shopping e bebidas quentes (Férias – Dia 10)

Chove copiosamente quando saímos do hotel em direcção ao Monte de Santa Luzia, e à medida que subimos, o nevoeiro adensa-se de tal forma que começamos a acreditar ser possível ver por ali o D. Sebastião, ou então, e embalados pela sétima arte e entre uma enorme profusão de almas penadas, a Nicole Kidman a protagonizar o fantástico filme “Os outros”.
Mas não, espera-nos a missa das onze com o baptizado de um rapaz com nome impronunciável, e que será qualquer coisa entre “Gerson” ou “Jéssio” (todo o dia discuti o nome com a minha mãe e não conseguimos chegar a um consenso), o que para o caso pouco importa, mas que motivou inclusive uma confusão de género por parte do padre celebrante que começou a cerimónia a assumir que de uma rapariga se tratava.
O padre que também não resistiu a confessar que durante o seu sacerdócio já tinha baptizado gente com nomes mais agradáveis.
E se não vimos por ali o D. Sebastião perdido nos nevoeiros, com a ajuda de todos os convidados do pequeno G ou J qualquer coisa, vimos o que é estar no palco de uma noite de gala de “A casa dos segredos”, ou então num qualquer show de travestis em alguma casa da especialidade.
E perdoem-me desde logo estas apreciações da minha parte que são muito pouco católicas.
Mas tenho que confessar que por via do famoso programa da TVI, se a Teresa Guilherme tivesse aparecido, eu não me espantaria; embora a Teresa Guilherme esteja para uma missa como o leitão da Bairrada está para um banquete de judeus.
Saltos prateados de quinze centímetros, vestidos de folhos e esvoaçantes, cabelos coloridos armados ou esticados, unhas de cores impróprias, silicones que dispensam soutiens…
Ao meu lado, um destes seres esteve a missa toda de boca aberta a mascar pastilha elástica, oferecendo dessa forma uma sonoridade estranhíssima a todas as orações que ia fazendo:
- “Pgai nhosso que nhestais nho gcéu gnsantifignhado segnham nham o gvonho nhome…”
Só não fez balões mas eu estava a ver que ainda lá ia.
No final da missa, a mesma chuva, o mesmo nevoeiro, a abortada tentativa de ir almoçar a Moledo, e pronto, pela boca morre o peixe, acabámos a almoçar num Centro Comercial daqueles que são iguais em toda a parte mas que pelo menos nos garantia não tomar duche no percurso entre o carro e a mesa da refeição.
Num dia de férias de verão como nos domingos de inverno na pior opção nos arredores de Lisboa.
Dirão que cada um tem o que merece, e eu pelo menos ainda consegui que pelas seis da tarde existisse para mim um lugar ao sol na esplanada, para uma bebida fresca, embora a alma estivesse mais para algo quente.
Mas tomar uma meia de leite numa esplanada às dezoito horas de um dia de Agosto depois de um forçado almoço no Shopping, era garantia certa de anti-depressivo em perfusão endovenosa durante algumas horas.
Assim fiquei mais fresco e… molhado, pois quando me levantei dei conta que antes de me sentar, o sol não tinha tido força e tempo suficientes para secar as consequências da tromba de água de antes.
Um passeio e uma refeição leve, mas já fora do Shopping, e, rezando para que Jesus e os seus discípulos não metessem tanta água como as cadeiras da esplanada, lá me sentei a ver a Supertaça de futebol.
No final ganhou o Benfica mas porque eu me lembrei a tempo e expulsei o meu pai do quarto em direcção ao dele.
Cartão vermelho directo.
É que o seu Sportinguismo dá-me azar.
E depois deste dia de férias tão especial…
Com franqueza, Rio Ave?
Deus me livre. Era só o que me faltava.

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