segunda-feira, 20 de abril de 2015

A tarde adoptou-nos, calou a orfandade das palavras de amor e passeou connosco por entre a gente e o riso de um domingo de primavera.


A tarde adoptou-nos, calou a orfandade das palavras de amor e passeou connosco por entre a gente e o riso de um domingo de primavera.
A tarde fez-se tempo perfeito para namorar…
E por mais que eu tente e faça apelo à mestra mão das ninfas que inspiram os poetas, jamais conseguirei ser justo para com a vida que me oferece o teu abraço.
É tão maior do que todos os superlativos daquilo que se pode dizer.
Numa última tentativa… resgato da banca uma flor que pago à pressa, ali algures numa esquina onde o Tejo nos espreita cúmplice no seu azul.
Peço-lhe que seja ela a falar por mim em canto tom púrpura sobre o chão de Abril e Lisboa, a pátria mãe da liberdade.
Tu sorris.
Depois acendemos uma mesa com dois copos de cidra e tu embalas-me contando cada detalhe de uma história que leste há pouco; e eu deixo-me caminhar de regresso ao tempo de menino indo pelas palavras que tu vais ilustrando com o olhar.
A flor está ali em baixo dentro de um saco e encostada ao pé da mesa, as palavras de ambos andam em volta de uma história que não é a nossa…
A tarde pegou-nos pela mão e trouxe-nos devagar até esta noite…
E não é preciso dizer mais nada, o amor está aqui, explicito e à solta no espaço perfeito deste eterno abraço.

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