quinta-feira, 30 de abril de 2015

Os poetas não compram flores


Não deixo nunca que os sonhos se apaguem na inevitabilidade do tempo; com eles vou moldando o mundo, e às vezes tomo notas desenhando e construindo “os meus mundos”, detalhes de brincar que um dia, mais cedo ou mais tarde, transportarei para a dimensão real que têm os dias.
Desenho a face de uma cidade colorida banhada por um rio, o Tejo; e encho-a de árvores, de ruas com chão desenhado a preto e branco, um castelo, paredes vestidas de todas as cores… e gente; uma cidade onde só pelo olhar se intui a banda sonora tecida a toque de guitarra e voz apaixonada de um fado.
Lisboa, a cidade onde cada detalhe me conta uma história.
O rio cruza-se desde o Terreiro do Paço em direcção ao comboio que ruma a sul e sueste…
E na outra face e em tom de férias desenho as planícies que conduzem à foz de um outro rio, o Guadiana; que os rios são apenas distintos pormenores geográficos para o canto e o passo da mesma água.
Aqui dispenso a ponte, tenho o barco que me levará sempre com a mão entrelaçada à mão da minha avó até às ruas de um falar diferente onde há caramelos e chocolate.
Voltamos ao fim da tarde; o mesmo barco, as mesmas mãos… e ainda e sempre as mesmas águas.
À noite acendem-se luzes, candeeiros nas ruas de Lisboa, no Sotavento, luzeiros pela planície fora…
Na minha maqueta de brincar, nos meus Legos…como as estrelas que me sorriem em todas as noites e que imitam a persistente vontade expressa em todos os meus sonhos: nunca se apagam.
“Sempre fui habituado a ser forte, a ser capaz de tudo, e não me vou abaixo”.

Ricardo, um abraço.
Os poetas não compram flores, tecem-nas com palavras e oferecem-nas assim, às vezes nos dias menos simpáticos que a vida tem.

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