sábado, 11 de abril de 2015

Fui-te procurando por entre todas as horas e todas as árvores


Alguém gritou na rua:
- Olha o sol.
E de facto, pelas sete as nuvens dissiparam-se e a tarde abriu um céu de muitas cores.
A primavera também já vestiu de folhas as árvores até aqui despidas de Lisboa, e da mesa onde espero por ti sentado no café consigo entreter-me agora a “beber” as histórias que as sombras desenham sobre um soalho intemporal.
Mar fora, um barco leva de uma cidade a memória da paixão de dois amantes que na cumplicidade das águas de um rio se sentam para namorar.
E o vento, que toma o aroma dos seus abraços, eleva as águas e as mágoas ao céu, impondo-as ao sol em algumas tardes de primavera.
Tu anuncias que estás a chegar… e não tardas.
Os teus passos esmagam então as sombras sobre o soalho e o teu beijo subtrai definitivamente a mágoa a esta tarde.
As sombras que nós vemos pressupõem sempre que o sol está algures a brilhar; é só uma questão de sair e ir procurá-lo por entre as árvores e os telhados de Lisboa.
Procurar o sol ao jeito de quem te beija.
E as mágoas, aquelas que o vento às vezes eleva ao céu, são apenas detalhes de uma espera…
Quando não estás comigo e mesmo quando não anuncias que já não tardas, eu sei que tu irás sempre chegar.
Fui-te procurando por entre todas as horas e todas as árvores. 

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