sexta-feira, 3 de abril de 2015

Tu ficaste a Oeste… hoje vislumbro-te de entre os raios do sol


Tu ficaste a Oeste, de onde o sol brilha neste fim de tarde e me abraça iluminando os detalhes todos do caminho.
Eu ainda trago na boca o aroma doce e perfeito dos teus beijos...
E nesta estrada que é a rota de uma vida, só hoje consigo entender o que me envolve.
Esperava que chegasses...
Há oiro à solta na giesta que salpica intensamente o verde da planície; são braços em louvor ao céu, os ramos dos sobreiros que despiram as suas vestes, o fruto de uma longa espera; as casas brancas no cimo do monte são castelos e torres que amparam almas e guardam a poesia; há aroma de rosmaninho como incenso no altar da fé do pastor que distrai o tempo cantando as suas rimas que falam do amor e do sul...
O céu é azul porque em tudo eu vejo a cor do teu olhar.
Tu ficaste a oeste com o sol, e eu sinto o vosso abraço cúmplice na luz que por detrás de mim me ilumina em tudo e na lucidez sobre o caminho.
Eu rumo a leste e em breve chegarei a Vila Viçosa, a minha terra que a esta hora me recebe sob a lua que já brilha lá no alto do castelo.
É Páscoa. Quinta-feira santa.
Persiste em mim o aroma doce e perfeito dos teus beijos...
Persistirá sempre.
Há tanto que eu esperava que chegasses.
Paro o carro no Terreiro do Paço, desligo-o e respiro fundo.
Ainda consigo ver-me menino a passar por aqui a caminho do velho liceu à porta dos nós, e guardei desse tempo a imagem do sol  por esta hora a espreitar por detrás da velha nogueira colada à parede do Convento das Chagas.
Confirmo.
Mas hoje vislumbro-te de entre os raios do sol.
Não espreito o retrovisor mas sinto claramente que sorrio quando me apercebo de que tudo faz sentido.
Tu estarás em todas as Páscoas e eu sei que já não viverei qualquer uma sem que te ame assim.

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