quinta-feira, 16 de abril de 2015

Eu sou desta noite onde te espreito numa tela que se confunde com o horizonte


A hora avança cumprindo o irreversível destino do tempo, e há uma cortina escura que cala o sol e o empurra para lá do horizonte numa despedida lenta ornada de laranja, púrpura, lilás e uma infinidade de outras cores.
Caiu a noite sobre a planície.
As luzes do carro imitam-me o pensamento e fazem incidir sobre a estrada a claridade que indica o caminho.
O pensamento projecta a nossa história, que é a nossa vida; e a minha viagem nocturna pelo Alentejo é a imersão numa imensa sala onde brilham as imagens alinhadas pelas mãos mestras do melhor realizador do universo.
Eu vejo-me e vejo-te na tela com a dimensão completa de todos os meus sentidos.
E há beijos por entre uma infinita festa, que não apenas no final feliz de um “cinema” que é ele próprio, o paraíso.
Uma festa que não acaba nunca porque mesmo quando os dias sabem a ponto final é por faltarem as palavras para descrever com verdade um amor assim.
É só questão de descansar um pouco num abraço como quem muda de parágrafo… e seguimos pelas palavras novas e pela poesia.
Sem nunca deixar que termine… o romance e a película.
Caiu a noite sobre a planície…
Nós somos filhos da terra onde somos felizes, e por isso eu sou dos teus braços; berço dos sorrisos, do desatinar dos sentidos que alimentam os melhores beijos.
Por isso eu sou desta noite onde te espreito numa tela que se confunde com o horizonte.  

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