domingo, 5 de abril de 2015

E apagaram-se para sempre as nuvens entre mim e todas as estrelas


A lua fita-me cheia desde um céu que esta não permitiu que as nuvens se interpusessem entre mim e todas as estrelas; e corre uma brisa ligeiramente fresca que se agradece.
Vão soltas as palavras no privilégio de uma mesa de amigos quando os sinos se soltam e cantam aleluia, sinal de águas novas e lume aceso num tempo que a fé renova a cada Páscoa.
Ressoam em mim os dois mil beijos que me escreveste ainda há pouco.
Trouxe-os comigo.
E de vez em quando por entre a saudade não resisto a invejar a lua e todas as estrelas: estarão a ver-te enquanto sorris.
Depois regresso a casa, e no silêncio que resgatei do serão escrevo-te versos como quem tece um tapete de flores para ter um leito e se deitar contigo.
Adormeço sobre estas palavras... e a desejar-te como nunca.
Sinto o desejo em tudo e no choro das minhas mãos perdidas tentando em vão beijar a tua pele perfeita que está longe e apenas à mercê da lua cheia.
É noite de Páscoa.
Há novos lumes acendidos sob os campanários das aleluias.
Eu renasço a cada instante em que penso em ti.
Amo-te muito para lá de onde chegam as palavras de todos os mais inspirados poetas...
E apagaram-se para sempre as nuvens entre mim e todas as estrelas.

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