quinta-feira, 2 de abril de 2015

ECCE HOMO


Os dias têm fome e dores como pedras e pó tinham as ruas de Jerusalém no caminho para o lugar do Gólgota; e as horas pesam como cruzes sobre os ombros, pena e condenação à mercê da caridade de um qualquer Simão Cirineu que passe por perto.
Há mulheres que choram por sob a indiferença de muitos ou quase todos, e as excepções são generosas Verónicas que trazem um pano e limpam o suor e o sangue de uma caminho de e para a cruz.
Ecce Homo… eis o Homem coroado de espinhos e com uma cana como bastão, ridícula caricatura de um rei nascida da despenalizada culpa lavada a água que escorre pela mão dos donos do poder.
Dores, fome, perseguição, discriminação, violência, xenofobia, homofobia, exploração, pedofilia, racismo, corrupção…
Os dias de tantos como as ruas de Jerusalém.
Ecce Homo…
E o rosto jazente de Cristo que persiste e se perpetua no rosto dos Homens.

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