terça-feira, 28 de abril de 2015

Perspectivas … e o muito que não se vê


Quem assumir que o mar é da cor da água que a onda lhe faz rebentar aos pés algures numa praia, jamais pensará pelo tom alvo da espuma que ele é azul; e quem olhar para uma rosa cingindo-se ao pé verde cravejado de espinhos, viverá para sempre na ignorância do esplendor que a flor oferece a quem a vê e “respira”.
Quem olhar para mim todos os dias ao fim da tarde no regresso a casa: mochila às costas, algum ou outro saco de compras, papéis, um assobio a enfeitar os lábios…
Assumirá por certo que o homem de barba grisalha que vive no sexto andar, que em dias de jogo sai de casa com a camisola do Benfica devidamente vestida, que escuta a Anne Marie David na canção que venceu a Eurovisão em 1973, e que tem um vaso de coentros à janela; é um solitário com tiques de alguma excentricidade.
O teu amor é a festa entrelaçada em todos os segundos que a vida me oferece, e eu sou muito mais… sou precisamente o oposto da solidão que alguém possa vislumbrar nos meus dias.
Esta noite eram precisamente zero horas e sete minutos quando tocou uma mensagem tua, li-a na cama onde estava só entretido a ler algumas crónicas do livro “Pesca à linha” do Alçada Baptista.
Li-a e juro-te que adormeci a pensar que não trocava a minha por qualquer outra vida.
E li-a por entre o perfume de todas as rosas e a certeza de que o mar é azul.

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