sábado, 25 de abril de 2015

O post número 1.000 / "E vão buscar-me para ir para casa"


Em 1987 tu já estavas em Lisboa a terminar a faculdade e eu ainda andava por Vila Viçosa a tentar seguir-te os passos. Como era costume nas férias do Natal, eu e a mãe já tínhamos feito o presépio e encomendado as prendas que era difícil arranjar no Alentejo. Eu queria um disco de vinil de um grupo que agora não recordo. Apesar de ter 16 anos, mantinha(o) a curiosidade das crianças de verificar se o meu desejo estava em vias de ser realizado e a existência, no cimo de um guarda-fato, de um volume com as medidas de um LP era bom sinal…
Mas surpresa das surpresas, no momento em que me entregaste a prenda, o LP foi facilmente dobrado pelas tuas mãos e eu devo ter feito a maior cara de espanto: lá dentro estava o cartão de sócio do nosso Benfica e umas quadras que ainda hoje guardo onde falavas daquilo que são realmente os nossos desejos.
Já sabes que não sei fazer quadras, nem limitar textos a 75 palavras, mas quero que saibas que eu, os pais, e toda a família te apoiamos naquilo que são os teus desejos.

José Artur Barreiros


O dia de ramos,
Já tenho o loureiro, o alecrim e umas pontas de oliveira, é dia de ir à casa grande pedir as flores para enfeitar os ramos.
O percurso para a casa grande fazia-se através dos campos, num caminho de terra batida ladeado por franjas de ervas daninhas, à sua volta os terrenos eram canteiros arrumados por retalhos de sementeiras feitas e nabais floridos à espera de serem lavrados.
Estava uma tarde amena, o céu era um mar calmo, o calor do sol fazia com que odor da terra se misturasse com o cheiro das flores e o que se ouvia era o zunir das abelhas. Assim se fez o caminho para a casa grande.
As cameleiras formavam uma das alas dos jardins, as flores já se encontravam cortadas em pequenos pés, jaziam em montes por cima das camélias caídas e murchas que atapetavam o chão.
Enchemos o cesto, agradecemos e partimos. No regresso, a meio do caminho, a Clara a tirou do cesto uma camélia e deu-a ao João a cheirar, este respondeu - As camélias não tem cheiro, mas estas até tem! – Cheiram a esta tarde! Cheiram a este campo!

Ângelo Rodrigues



El valor de los números
El tiempo en ciclos de cinco
años en los estudios en los destinos
en las ciudades amadas apropiadas
como pertenencias del corazón
en sus múltiplos
en la cuenta de los días que faltaban para la vuelta
sobrevolando con la memoria alerta invencible al sueño
en el círculo descrito por los paseos del domingo
en la celebraciones cómplices
el valor de los números vencedores.

Iniciando la noche del 23 de abril de 2015, con Londres al frente.

Juan Blas Delgado



Pediste que escrevesse umas linhas para o teu blog 1000. Que tarefa tão complicada para quem, como eu, não encontra quaisquer dons pessoais, muito menos os da escrita!
Levantei-me hoje cedo, olhei para o espelho e repeti (como tu me ensinaste)
“Tu és bem capaz!”
Sentei-me à secretária e tentei aproveitar as doses de energia positiva que tentara infiltrar mas…
Nada, absolutamente nada de jeito saía!
Comecei em jeito de poesia, pensava ter dose de inspiração suficiente… risquei!
Passei à prosa, invocando a nossa doce infância tão cheia e rica, mas comparei as tuas memórias e …rasguei!
Bem, de hoje não passa, em prole da nossa velha amizade…
Obrigada, porque quando estou contigo, sinto que posso ser sempre espontânea que tu estás lá com um olhar cúmplice! E brotam as gargalhadas soltas…
Bem hajas Quim.

Zinha Duarte

Desde que me conheço que me lembro do Quim.  Brincamos  juntos, partilhamos aventuras, descobrimos Lisboa juntos ,  fizemos imensas viagens e atravessamos continentes juntos.
Falamos e rimos sempre muito de nós, dos outros e do que nos ia acontecendo.
Hoje já não falamos tantas vezes, mas sempre que sinto a falta do meu amigo ou das suas palavras vou ao Pomar para (re)ler os seus textos / poemas e voltar a soltar uma boa gargalhada, sorrir simplesmente ou emocionar-me até sentir as lágrimas nos olhos.
Obrigado Joaquim por este esplêndido laranjal e que o mesmo continue a florescer por muitas estações, de modo a que sempre que nós lá formos colher uma laranja ela nos traga alegria, verdade, emoções e afectos.

João Alves da Silva


Somos o Outro…
Outro, que sempre será um LUGAR e uma oportunidade de melhorar a nossa relação com o mundo e connosco mesmos, pois é o eco de um vale profundo e simultaneamente um abismo ou um multidimensional e magnífico espelho, que nos ajuda a evitar o desalinho, onde, por excelência, se situa o reduto da aprendizagem, fruto da observação, da tentativa e do erro, sem os quais, a Vida perderia todo o seu sentido.

Ezequiel Coelho


O Pomar das Laranjeiras apresenta-nos o Amor vestido de amizade, de liberdade, de humor, ou até mascarado de laranja podre. E como poderia ser de outra maneira pois se é Ele o alicerce e o fio condutor da vida do autor?
Posts deliciosos que nos ensinam que o Amor é uma busca que nos põe em busca do Bem.

“Todos os dias quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor…”
Clarice Lispector
Mina e Natália Sousa


Para comemorar o milésimo post do blog e respondendo ao desafio proposto, aqui deixo um pequeno copo de sumo espremido das laranjas colhidas daquele que é também o “nosso” pomar, desejando que o autor e nosso amigo Joaquim Barreiros, continue a arar as terras que alimentam as laranjeiras e a presentear-nos diariamente com os seus actuais, interessantes, divertidos e, quando necessário, diria …  “acutilantes” textos.
Parabéns, até ao post 2000.

Álvaro Coelho


Amizade sincera e profunda, aquela que nos une.
Momentos únicos são aqueles em que estivemos, estamos e estaremos juntos, nos quais partilhámos, partilhamos e partilharemos as nossas vidas.
Intensidade, a forma como consegues transmitir o dom da vida, da alegria, da palavra que dá que pensar, que faz rir, chorar e recordar.
Grandiosidade é aquele dom que transborda do teu coração.
O elo que consegues ser, pois juntas os amigos que mesmo estando perto muitas vezes estão distantes.

Bem hajas pelo dom da AMIZADE que existe entre nós desde “os banhos de luz”.

Manuel Almas


Os afectos calam as distâncias, e os amigos, sempre presentes, são os “ingredientes” fundamentais para que disfrutemos dos dias em que somos felizes.
O sal, as especiarias, os aromas e os sabores…
Brindamos com gargalhadas, com cumplicidades, com o calor bom de estar próximo, e a vida é um banquete rico e inesquecível; horas e minutos inscritos no cardápio dos nossos desejos e dos nossos sonhos.
Às vezes, tudo isto envolto no gosto doce das melhores laranjas, como as que colhemos aqui neste Pomar.

Rui Pereira


O primeiro texto do Pomar
Sem grande inspiração, mas com o tempo a avançar como um cavalo, sento-me à frente do computador à espera que só esse facto me forneça o que necessito: o mote para o desafio de contribuir par ao post número mil deste blog.
Dou por mim a pensar em como tudo começou, quando numa conversa o seu autor me disse que iria iniciar um blog e que, mais tarde, enviaria o link. Resolvi, então, ir ver o primeiro post. Retirei dele as seguintes palavras/expressões: “Existir”, “Vila Viçosa”, “laços com os amigos”. Para mim, elas definem o que tem sido o Pomar, porque definem também o seu autor e a sua saudável relação com a vida. Quase diariamente nos presenteia com um texto que nos pode fazer rir ou chorar, mas que, essencialmente, nos faz reflectir sobre o quotidiano, em coisas tão simples e, por outro lado, tão complexas. Há dias em que parece transmitir aquilo que acabámos de pensar, mas que não somos capazes de dizer assim!
Ficamos à espera dos próximos mil!

Manuela e Zé Maria Barreiros


Olá,
Eu sou o João Barreiros e tenho 9 anos. Estou no 4º ano e gosto de fazer origamis. A minha escola é na Estrela (João de Deus) e estou a escrever esta história no dia antes de uma visita de estudo aos dias da música no CCB e ao Mosteiro dos Jerónimos, inaugurado por D. Manuel I.
O meu dia é assim:
Vou para a escola;
Trabalho;
Recreio;
Trabalho;
Almoço;
Recreio;
Trabalho;
Recreio;
E vão buscar-me para ir para casa.

João Barreiros


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