quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A eterna poesia...



A oliveira envolve-me com os braços que há séculos o sol tinge de luz, da essência doce das candeias.
Somos da mesma idade...
Filhos do mesmo chão, cúmplices do sol e do tempo; que aquilo que vivemos, pouco ou nada importa comparado com o muito que queremos viver.
No campanário já soou o Angelus, é meio-dia, e o sol disfarça o frio de um Dezembro denunciado pelos medronhos e as laranjas maduras.
Esta é a hora em que os poetas se levantam e saem vestindo com a alma as cidades nos enfeites das palavras que lhes oferecem, os versos sem rimas e sem forma desenhados e pintados sobre tudo e sobre o barro que nos oferece chão.
E eu escrevo para ti à sombra da minha idade, escrevo sem tinta, sabendo que a memória nunca se distrairá com o tanto do caminho e jamais me desmanchará os versos.
Porque tu és a poesia, a eterna poesia. 

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