domingo, 6 de dezembro de 2015

Coisas da poesia de um sábado à tarde…



O que poderá unir o Largo de São Carlos, em Lisboa, com o Terreiro do Paço de Vila Viçosa?
Por certo a música, D. João IV era um melómano e foi na sua dinastia, no reinado de D. Maria I, que a casa da ópera de Lisboa foi inaugurada.
Depois a poesia, Fernando Pessoa nasceu numa casa em frente ao teatro, Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa a curtíssima distância do Terreiro do Paço.
Mas no sábado solarengo de um Dezembro do Século XXI, aquilo que une um e outro são os meus passos envoltos na claridade.
Se a riqueza de um homem se mede pelas "cidades" que o abraçam, eu serei então dos mais afortunados do universo.
Deixo que "O retiro" do Rodrigo Leão me envolva nos primeiros quilómetros dos quase duzentos que tenho de percorrer, e o artista, sem o saber, inventou a banda sonora perfeita para a magia dos sobreiros espreguiçando-se ao sol, oferecendo sombra à erva nova que a chuva já semeou.
Depois deixo que o YouTube me faça uma mix muito pessoal, e não estranho que Zeca Afonso e a "Canção de embalar" soem enquanto estaciono em Vila Viçosa à porta de casa dos meus pais... no Terreiro do Paço.
Há um não sei quê de ninar em cada chegada ao chão onde nasci e brinquei em rapaz.
Há tanto mas tanto de mim no chão de Lisboa onde por ti me deixo acontecer.
Coisas da poesia de um sábado à tarde…

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