quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Neste beijo para onde trouxemos a vida toda


Já trocámos o medo pela ousadia, a dúvida pelas palavras certas e tão nossas, e o cinzento tom fatal de um quase inevitável destino pela rota desenhada pelos nossos pés entregues ao caminho…
Colocámos gambiarras acesas nas janelas das casas onde o corpo nos pediu pernoita, candeeiros de luz e alecrim pendurados nos ramos das árvores cujos frutos nos ofereceram pão e abrigo…
Cantámos as velhas canções, a playlist das festas de garagem, mas sem pensarmos que um beijo de amor é coisa de poetas, aquilo que se escreve sem nunca acontecer; lemos Camilo com a certeza de que o destino onde os sentidos nos levam nunca será a perdição, é o amor completo… e quanto muito será a perfeição.
Já não choramos senão apenas porque o olhar não contém sem respirar, a alegria tanta que a alma liberta no instante de uma carícia. E acabamos sempre por chorar naquele sossego de não soluçar.
Já não adormecemos com pressa como que a puxar o futuro, porque tudo acontece agora…
Neste beijo para onde trouxemos a vida toda.

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