sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Esta é a noite em que a memória rasga as dores das ausências causadas pelo tempo...



Os dióspiros e a sua essência de Outono persistem na árvore deserta desafiando o Inverno e este Natal ornado pela lua cheia. Vejo-os entre mim e o céu na tarde que calou o nevoeiro e tornou nítidos os contornos todos dos campanários e do horizonte…
À volta da mesa somos três mais a velha receita do “cacau” inventado pela “Pérola Calipolense”, e que ainda continuamos a poder comprar pela Vila; mas o fumo intenso e com o aroma de sempre já não é prenúncio do regresso a casa envolto no xaile que a avó emprestava para que o frio não pudesse desmanchar-nos o rosado tom das faces que o lume aceso e intenso ajudara a criar pelo serão fora.
E caminhávamos lentamente pela avenida e cruzávamos a praça no beneficio de quase dormidos, que os braços dos pais são berços eternos e seguros onde todos os impossíveis se esbatem.
À volta da mesa…
Esta é a noite em que a memória rasga as dores das ausências causadas pelo tempo e resgata pela memória, o riso e a alma daqueles que estenderam para nós os xailes e os braços, aqueles que nos ofereceram os berços que nos trouxeram aqui.
O calor…
Os mestres dos beijos que, mais dos que a lenha, nos ofereceram um tom rosado às faces nas noites perfeitas de Natal.
Um tom que não se apaga nem no mais frio dos invernos.  
São eles os anjos que nos abraçam na festa do Deus menino, com ou sem a cumplicidade da lua, e a paz do Natal é esse encontro entre o melhor de nós com a nossa História.
E nós somos frutos desafiando o tempo e sem nada que nos separe do céu. 

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