sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Há notas que se acotovelam felizes à saída de um piano na expressão da mais inspirada e perfeita melodia



Sobre os escombros da mágoa que ruiu no calor das nossas horas, construí uma casa com varanda e vistas para o desejo, onde os sentidos, todos, se sentam à conversa com o destino, alinhando os seus planos com a vontade expressa nos mais ousados sonhos.
Nas noites de Dezembro, quando o luar intenso disfarça o frio, e as mantas são retalhos de palavras de amor sussurradas ao ouvido; há notas que se acotovelam felizes à saída de um piano na expressão da mais inspirada e perfeita melodia.
Brinda-se ao futuro com o vinho generoso que o sol de Julho adoçou, e por entre vivas e saúdes, jamais vacilará a certeza de que esta sorte tem asas; não para fugir mas para cruzar assim connosco o tempo.
Há rosas, bailes, canções, fado vadio, a voz dos poetas, repuxos de água...
E das janelas vizinhas acena feliz a gente que nos quer bem. Tantos nos conhecem por ali, dos anos todos em que por lá morámos na companhia da mágoa.

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