sexta-feira, 26 de junho de 2015

À porta da Sala 7


Na minha Escola Secundária em Vila Viçosa, a Sala 7 tinha acesso por uma escada que descia do corredor do primeiro andar, mas tinha também uma porta de madeira pintada de verde que dava acesso directo ao pátio na zona do poço onde muitas vezes nos sentávamos à conversa durante os intervalos.
Ali mesmo ao lado, o Paço Ducal e a torre da capela que dava as horas por sobre o Jardim do Bosque, lembravam-nos sempre que naquele espaço não existia pequeníssima pedra que não contasse uma história da História de todos nós. E pela ousadia dos 15 anos e instigados pela liberdade dos últimos anos da década de setenta, jurámos muitas vezes reescrever a História tornando-a nossa pela expressão da mais acérrima vontade.
E sonhámos tanto entre os limoeiros reinventando-nos em tudo e até nos gestos e nos vocábulos.
No último domingo fui visitar o Paço Ducal e já de saída dei por mim à porta da Sala 7.
Activado o espelho da memória consegui reconhecer-me em tudo.
Na ousadia, na liberdade, na amizade franca e imensa que nos unia a todos e, mesmo tendo passado trinta e tantos anos, ainda consegui recordar-me do sítio por ali que oferecia melhor ângulo para discretamente ver passar a minha primeira paixão quando atravessava o pátio.
- Por onde andaste tu a navegar marinheiro dos olhos castanhos que tantas vezes sobre estas pedras pediste para a sorte te trazer o mar?
- Andei pelo mundo minha boa sorte, percorri serras, continentes, muitas terras... levei muitos anos e encontrei o mar.
- O mar...
- Sim esse mesmo. Prepara-te que hoje é a tua vez... escolhe o melhor ângulo porque eu trouxe-o para te apresentar.
E há manhãs que ganham assim o irreversível tempero do melhor e mais ambicionado destino.
A nossa história que acontece.

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