sexta-feira, 19 de junho de 2015

“O que espero da vida é nascer”


Gosto de temperar o silêncio com a sombra. Deixo acesa a luz do corredor, apago todas as da sala, e reclino-me no sofá para ir escrevendo como se o i-Pad fosse um muito privado écran de cinema onde eu teço histórias usando palavras.
O silêncio dá-me o tempo todo para te ouvir e falar contigo; a sombra apaga o meu espaço real e traz-me todo o universo onde os meus sonhos te veem e te sentem.
E assim não há serão que eu não passe contigo.
Hoje escrevo para ti no mesmo instante em que chega uma mensagem tua. Escutas "Corações sentidos corações" do Fausto e pensaste em mim.
Em 1985 fui com uns colegas de Faculdade comprar isqueiros descartáveis para irmos juntos à Reitoria a um concerto do Fausto e do seu "Despertar dos Alquimistas". Não queimámos os dedos e não consigo recordar-me se fizemos chama na altura da música que escutas agora, e que a determinada altura afirma que "o que espero da vida é nascer".
As tuas palavras chegaram perfeitas na voz de Fausto, e sobrepuseram-se a todos os sonhos com que a minha saudade povoava o silêncio desta noite reservada para pensar em ti.
As tuas palavras...
E eu nasço e renasço em cada confissão de amor.
Tudo faz sentido.
E o que espero da vida?
Continuar a nascer contigo todos os dias.

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