sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sob o luar de Santo António


Hesito entre fazer-te um fado alinhando as palavras de amor com o eco de todas as guitarras pelas vielas e becos de Alfama, ou então pintar de rimas só nossas, a minha marcha, o Bairro Alto, afinando depois o passo com o toque da caixa, e desfilando para ganhar a noite mais longa de Lisboa.
Ou talvez até faça as duas coisas ao mesmo tempo, aproveitando ainda para resgatar também os cravos de todos os manjericos, enchendo-os de quadras só para ti:
Pelas varandas todas da cidade
Espreitei contigo e com o desejo
E o que vimos? Lisboa? A liberdade?
O universo todo num só beijo.
E…
Lisboa com sede de festa e magia
Deu-nos o braço, veio connosco namorar
Nós demos-lhe o canto e a poesia
E ela pôs o seu céu no teu olhar.
Num abraço eterno entre a multidão, comeremos sardinhas e depois o pão para onde elas pingaram generosas ao sair da brasa, partilharemos uma fartura temperada de Licor Beirão, saltaremos a fogueira acesa no asfalto arrendado de basalto e granito de uma rua qualquer, iremos erguer balões ao alto que voarão para lá da Sé e de São Vicente…
E depois, sob o luar e a caminho da madrugada, quando o fogo-de-artifício subir ao céu e acrescentar cor aos luzeiros todos que a noite nos oferece à beira Tejo, entre um beijo e outro beijo, nós piscaremos o olho a Santo António…
Entre o poder dos milagres e o ser casamenteiro só poderá ter sido ele que acabou por nos juntar.

Sem comentários:

Enviar um comentário