quinta-feira, 25 de junho de 2015

Os apaixonados escrevem cartas de amor nos instantes do entardecer


Meu amor
Parado à esquina do entardecer de um dia qualquer, que muito pouco importa qual por ser eterno o sentir que as palavras ditam, escrevo-te feliz uma carta de amor.
Talvez resulte tão patética quanto todas as missivas dos enamorados, barroca no excessivo floreado a ouro de quem se sente num trono imenso; quiçá fique até a dever pouco à criatividade.
Mas hoje... quando ao longe vejo o céu ateado pelo sol em cor de fogo, o mesmo sol que se vai apagando aos poucos num oceano que perde o azul em absoluta rendição à noite; eu senti um impulso e escrevo-te antes que cheguem as estrelas e eu me distraia… a pensar em ti.
Preciso dizer-te que te amo tanto que jamais morrerei de amor por ti, muito pelo contrário, quero deixar-me estar sempre aqui a viver de amor por ti, eternamente.
Não te faço juras de amor pois tal pressupunha a hipótese de um não amar-te, que definitivamente não existe.
Também nunca te direi que me perdi de amor por ti porque realmente me encontrei no amor por ti.
Jamais te amarei cegamente porque tudo neste amor é bom de ver e tu és o mais bonito do mundo.
Não sugiro que por ti vá buscar a lua ou roubar os anéis de saturno porque contigo o universo é tão perfeito que não quero alterá-lo no mais ínfimo detalhe que seja.
Não prometo casar contigo. A forma como te quero, como te desejo e penso em ti dispensa qualquer suplemento legal; e depois, eu sou tanto mas tanto mais do que aquilo que de mim fala o Cartão de Cidadão. E todo esse tanto já é teu.
Não trocarei alianças contigo. Não precisamos. Os nossos olhares expressam a fidelidade de uma forma mais completa e verdadeira do que qualquer detalhe que o ouro possa conter.
Mas sim, sonho ver contigo todos os entardeceres a partir de uma varanda caiada e debruada de azul, sentindo os dois que o sol se apaga na seara rendida à noite.
E de cada uma dessas nossas noites faremos um abraço onde viveremos para sempre.
Já pressinto as estrelas e por isso vou ter de acabar de escrever deixando-te mil beijos por entre dois corações, cada um de sua cor, mas que juntos fazem um país imenso.
Teu para sempre,
Francisco

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