quarta-feira, 24 de junho de 2015

A saudade parece sossegar a cada palavra que te escrevo


A saudade parece sossegar a cada palavra que te escrevo, palavras colhidas dos instantes que o pensamento vai arquitectando e se sobrepõem ao silêncio aonde me sento.
Instantes que te trazem definitivamente ao meu mundo e à minha história fazendo com que todos os meus silêncios guardem afinal uma face escondida, mas doce e perfeita, onde tu estás.
Onde tu sorris como mais ninguém.
Não há horário, acesso, escada, transporte, túnel… o pensamento faz-te eterno em mim, na verdade e no mundo que a minha vontade desenhou.
Hoje vi-te sentado comigo numa varanda em frente ao mar, vendo ao longe o azul mas sentindo bem perto a brisa que traz sempre o sal até nós. Líamos os dois fazendo uma pausa para mudar de página ou então para um beijo breve… com o olhar.
Sobre a mesa uma limonada ainda fresca e uma jarra de flores garridas mas de nomes indecifráveis colhidas num recente passeio ao campo.
Não fora o chilrear dos pássaros, o vento muito suave a agitar a folhagem e os parágrafos que não resistimos a partilhar um com o outro, e nada mais se faria ouvir.
E por entre este estar assim tranquilo, o corpo pediu-me loucamente um abraço.
Regressei por instantes ao silêncio, reparei nas mãos vazias, vi que não estavas ali; e por entre a saudade escrevi no meu eterno caderno vermelho:
- A fome de te sentir redesenhou as manhãs e fez delas um perpétuo abraço.
E a saudade sossegou enquanto eu regressei à varanda para dar conta de que os dois livros estavam já pousados sobre a mesa e de que eu descansava entre os teus braços.

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