quarta-feira, 17 de junho de 2015

Os instantes


Há instantes que fazem emergir a impotência das palavras na tradução da verdade daquilo que se sente.
Talvez os poetas se aproximem mais dessa verdade calando os tabus e matando as reservas na hora em que bebem inspiração da alma para a escolha e alinhamento das palavras certas…
São os instantes que nos fazem maiores, que mudam convicções, destroem convenções, sufocam impossíveis, saram feridas, apagam medos, restauram a fé, recarregam sorrisos; instantes que fazem emergir da vida as mais férreas e acesas vontades de lutar por tudo aquilo que mais se quer e que se sente.
São os instantes em que a alma se liberta das cartilhas e das sebentas que prendem os demissionários de si mesmos, os imbecis que afogam o rosto e a identidade, auto diluindo-se numa multidão apátrida e anónima onde jamais serão questionadas sobre o que quer que seja.
São os instantes da doce coerência entre a nossa génese e o caminho que fazemos.
No silêncio e no recato do carro, existiu um instante no domingo em que nos demos a mão e em que tu me foste dando beliscos suaves.
Desde então que busco as palavras certas para dar verdade ao que a alma me confidenciou nesse instante.
Ainda se ao menos eu fosse poeta…
Muito daquilo que já vivi fez sentido como vereda e viela para esse instante a que cheguei e de onde jamais irei partir.
Sim, venham os acusadores, os “Torquemada’s” em versão genérica, os indefectíveis da moral podre e bacoca…
Deus nunca poderá ter a expressão do amputar do amor verdadeiro que se sente.
E eu jamais apagarei esta força e esta crença.
Não me demito de mim.
E o que é que eu sou para lá desta forma de te amar assim…

Sem comentários:

Enviar um comentário