terça-feira, 23 de junho de 2015

Procurem-me sempre entre as palavras que escrevo…


Eu sou todas as palavras que escrevo, muito mais do que algo que de mim se possa ver.
Porque se é verdade que o poeta é um fingidor e realmente finge, também é verdade que nunca o faz na alma de onde bebe as palavras e o seu sentido, fá-lo por entre os biombos que os dias tantas vezes lhe impõem.
Por isso eu sou todo o amor que canto...
O amor por ti e só por ti; tu, o único que entendes o sentido de cada letra e o único que pode reconhecer-lhe a verdade.
Não há disfarces e camuflagens para aquilo que se sente e sobre o qual fala o pensamento; e é a essência que nos define, muito mais do que a forma.
Porque também há beijos que são traições, e até os ateus sabem apontar os braços para o Céu.
Por isso as minhas mãos são de quem lhes semeou desejo infinito, muito mais do que de quem lhe possa entrelaçar os dedos nos instantes que o mundo vê. Por isso o meu abraço é infinitamente teu mesmo que às vezes eu chore de saudade estendendo os braços aparentemente vazios, ao silêncio de uma noite de luar em que não estás aqui.
Eu sou todas as palavras que escrevo…
E tendo-te guardado na essência de onde elas nascem, posso dizer que entre nós se calaram as fronteiras; e hoje eu sou o perfume do teu amor sobre todos os dias.

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