segunda-feira, 8 de junho de 2015

“O bom, o mau e o vilão”


Buffet, cerejas fantásticas, conversa séria, trabalhos, férias, filhos, memórias, boletim clínico, exames...
Mas sim, apesar de tudo isso continuamos super vivos, e mal soou o "Staying alive" na voz eternamente esganiçada dos manos Gibbs, foi como se uma mola interior nos tivesse feito saltar para pista.
Ao jeito de "nós ainda ontem dançámos isto", ninguém diria que esse ontem foi há mais de trinta anos; mas os passos de dança são definitivamente como andar de bicicleta e nunca se esquecem.
Surpreendemo-nos; afinal as barrigas e as celulites (hipotéticas, se não as amigas não me perdoam) não mataram o Travolta que habita dentro de nós.
"Wake me up before you go-go". Sim George, acordadíssimos e eléctricos como um "yo-yo". Mas aquela do "you put the boom-boom into my heart" nunca foi tão verdadeira, apesar de muitos de nós termos tomado o anti-hipertensor logo pela manhã.
O cansaço...
"I will survive". Claro que sim Gloria, mas com menos convicção do que antes.
Mais suor, menos resistência e aquela coisa de andar no centro da pista como se fôssemos primos da linha Alentejana da família da Cleópatra, ressuscita a arte, mas também, e sobretudo, as hérnias discais.
Não podemos arrefecer mas já não temos andamento para a Kizomba. Umas cerejas, mais uma conversa e aí vamos nós... hoje é sábado e isto está a pedir "night fever".
Vamos à "Pensão Amor"? Não se consegue entrar.
Ao lado está "O bom, o mau e o vilão". Entramos.
A média etária dos presentes subiu automaticamente 10 anos, no pedido as águas minerais derrotaram as cervejas por 5 a 3, e as caras de quem entrava e nos via à volta de uma mesa rectangular denunciava a dúvida:
- Estes gajos vieram para aqui fazer a reunião do Apostolado de Oração?
Não tardamos a sair pois a subida da Rua do Alecrim não nos saía da cabeça.
Mas em slalom entre diferentes expressões de álcool etílico numa espécie rara de diálogo entre as ditas e as pérolas super chiques dos colares das minhas amigas... nem custou.
Passámos pela estátua do Eça. "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia".
Pois sim, os cinquenta ou os quase cinquenta já cá cantam e a "nudez forte da verdade" expressa uns ais reumáticos quando entramos no carro.
São três da manhã e como diriam as nossas amigas Doce, "às duas por três quem sabe onde isto parar...". Sim, porque a uma da manhã com "um toque e um brilho no olhar" já se foi há muito.
"Amanhã de manhã" logo se verá se foi "Bem bom"...
A posteriori confesso que não foi lá grande coisa.
E na festa de aniversário para comemorar os cinquenta anos do nosso amigo, bom ver os amigos, o mau foi não termos ido aos treinos de dança e copos... e o vilão até poderia ser o tempo e aquela coisa das hérnias discais. Mas com o tempo damo-nos nós bem, enfeitamo-lo de abraços, de sorrisos e palavras doces... e qual vilão qual carapuça; o tempo vira definitivamente nosso aliado; porque é eterna esta festa de estarmos juntos.

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