segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A herança doce dos poentes


Quem se ama jamais teme a intimidade promovida por um pôr-do-sol, quando a pele e os olhares se namoram efusivamente e esvaziam qualquer importância e protagonismo que possam ter todas as mais inspiradas palavras de amor.
O sol ateia o horizonte de um despudorado rubor enquanto morrem capas e tabus na festa de sermos nós mesmos…
E vendo-te assim na “nudez” que te revela mais do que perfeito, eu não consigo nunca deixar de pensar que todos os meus dias tiveram o impulso da esperança de te encontrar.
E no abraço a que nos entregamos eu descubro um sibilino propósito em todos os aromas de flores que me foram oferecidos pela primavera e todas as estações.
O teu aroma num abraço que é uma definitiva chegada.
Nós merecemo-nos e merecemos este instante que se sobrepõe a tudo o que às vezes parece separar-nos, este momento roubado ao desejo e que insufla vida para dentro das nossas histórias.
Este instante é a minha suprema sorte e tu és o amor perfeito que cruzará comigo todo o tempo e todos os anos.
Ao redor de um chá de cidreira, quando o sol já se pôs e o teu olhar brilha mais do que o luar imenso de Janeiro, eu sinto vontade de fazer desta hora uma tenda para nela viver todos os dias…
Contar-te histórias enquanto te acaricio a barriga e tu me dás beliscos entre os dedos da mão; e adormecermos os dois por entre a herança doce dos poentes.

Sem comentários:

Enviar um comentário