quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Algumas notas soltas


Perante uma suspeita, a presunção de culpa é tão legítima quanto a presunção de inocência.
Enquanto os militantes e simpatizantes dos partidos políticos defenderem tão cegamente os da sua “cor”, a política será o biombo mais opaco e eficaz onde os corruptos procurarão abrigo.
A suspeita de corrupção combate-se fazendo prova de honestidade, e nunca pelo refúgio na lamúria e divagação sobre supostas perseguições de natureza ideológica.
Um preso político é alguém perseguido pelas suas convicções ideológicas contrárias ao do sistema vigente. Em Portugal e na política actual, a direita e a esquerda são substantivos, muito mais do que adjectivos, pelo que perseguições, se existirem, não são “batalhas” de natureza ideológica, são guerras de cartéis na luta pelo poder numa vertente muito mais económica do que política.
Gente séria e honesta que a determinada altura da vida tenha que solicitar ajuda financeira a amigos e conhecidos, não faz vida de luxo e não viaja em classe executiva.
Gente séria e honesta já na casa dos cinquenta anos, com vida e filhos para cuidar, e supostamente com parcos recursos económicos, prefere ir trabalhar, muito mais do que ir estudar e ficar à mercê do dinheiro dos amigos (ou de qualquer empréstimo bancário).
Gente séria e honesta não “vende” o irrevogável sentido das suas convicções e decisões.
A existência de um corrupto não iliba outro.
Um escândalo não cala o impacto negativo do outro.
A justiça nunca será cega e isenta enquanto os magistrados forem escolhidos pelos políticos com base inevitavelmente na sua manifesta e comprovada “tendência ocular”.
O cúmulo do ridículo no actual anedotário nacional consta do discurso e dos comentários de pessoas que falam sobre o estado terrível em que o país se encontra, que fazem promessas e dão pistas de futuro, mas pessoas que entre deputados, secretarias-de-estado, ministérios, presidências… não fizeram mais nada para além do exercício do poder.

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