sábado, 24 de janeiro de 2015

Nós somos da idade do que queremos viver, muito mais do que daquilo que já vivemos


Nós somos da idade do que queremos viver, muito mais do que daquilo que já vivemos.
É novo quem ambiciona e se entrega a um futuro longo e completo, é velho e morre quem não o sonha e não se dispõe a vive-lo assim; e eu nasci na tarde de primavera em que te dei um abraço e tomei desse instante uma vontade infinita de prolongar ao impossível todos os dias que a vida generosamente me oferecer.
E a infinito sabem todos os instantes em que te encontro e me coloco à sombra do teu olhar, esse infinito impenetrável onde as palavras não contam e nem sequer conseguem dar justiça ao que se sente.
Uma Bola de Berlim é o pretexto para uma mesa acesa para dois num corredor onde o chá nos aquece, as mãos e os lábios se namoram…
E eu não me canso nunca de te olhar.
Sim, eu sou da idade desta inédita paz e descubro em mim as forças para viver intensamente, voar por sobre tudo e calcorrear contigo todos os mais ínfimos recantos do universo, na morte dos relógios; que o tempo é nosso e as horas colho-as de ti nesta enorme vontade de jamais querer morrer.
Eu já fui tão mais velho do que sou hoje…  

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